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PROGRAMA

Heitor Villa-Lobos
(1887-1959)

Bachianas Brasileiras nº 4

Prelúdio
Heitor Villa-Lobos
(1887-1959)

Bachianas Brasileiras nº 2

I.    Prelúdio (O canto do capadócio)
II.    Ária (O canto da nossa terra)
III.    Dança (Lembrança do sertão)
IV.    Toccata (O trenzinho do caipira)
Heitor Villa-Lobos
(1887-1959)

Choros nº 10
Rasga o coração

I.    Animé
II.    Lent - Animé
III.    Très peu animé et bien rythmé

 
Se tu queres ver a imensidão do céu e o mar
Refletindo a prismatização da luz solar
Rasga o coração, vem te debruçar
Sobre a vastidão do meu penar.

Sorve todo o olor que anda a recender
Pelas espinhosas florações do meu sofrer.
Vê se podes ler nas suas pulsações
As brancas ilusões e o que ele diz no seu gemer

E que não pode a ti dizer nas palpitações
Ouve-o brandamente, docemente a palpitar.
Casto e purpural, a um treno vesperal, 
Mais puro que uma cândida vestal.

Rasga o que hás de ver lá dentro a dor a soluçar
Sob o peso de uma cruz de lágrimas chorar.
Anjos a cantar preces divinais,
Deus a ritmar seus pobres ‘ais’.
Poema de Catullo da Paixão Cearense
Maurice Ravel
(1875-1937)

Boléro

ORQUESTRA ACADÊMICA DE SÃO PAULO
CORAL DA CIDADE DE SÃO PAULO

Luciano Camargo
Regente
 

SOBRE O PROGRAMA

           O ciclo dos Choros e o ciclo das Bachianas Brasileiras são as obras mais representativas da poética composicional de Heitor Villa-Lobos. Ambos constituem ciclos de obras desiguais, tanto em dimensões como também na utilização instrumental – os Choros 1, 2, 4 e 7 são composições camerísticas; o Choros nº 5 foi escrito para piano solo; os demais são obras orquestrais e/ou corais. O Choros nº 10 tornou-se a obra vocal-sinfônica mais célebre do compositor, pois apresenta a gênese composicional de Villa-Lobos: a evocação da natureza e a transfiguração da expressão artística popular na síntese mestiça das manifestações étnicas da cultura brasileira – do índio, do negro e do branco – em uma composição matizada por processos impressionistas.
A obra é dividida em 3 partes principais: a primeira e a segunda constituem movimentos orquestrais de expressão pictórica – sons inspirados na natureza compõem um quadro tropical, desde a delicadeza de sons de pássaros e insetos à selvageria inerente ao instinto animal, numa floresta de sons de grande impulsividade. O elemento melódico mais marcante nas duas seções iniciais estará presente em toda obra: trata-se de uma canção de ninar dos índios parecis recolhida por Roquette Pinto denominada “Mokocê maká”, que é obsessivamente transfigurada, modificada e variada. A parte final constitui o “chôro” propriamente dito, quando as três etnias são representadas integradas numa composição exuberante: o ritmo marcado da percussão apresenta uma característica nitidamente afro-brasileira; o coral inicia um canto obsessivo baseado no motivo indígena “Mokocê maká”, que apesar do texto não representar nenhum conteúdo semântico, ele apresenta fonemas típicos do tupi-guarani que, cantados com essa articulação e linhas melódicas, torna-se extremamente convincente como uma transfiguração de cantos indígenas. A composição é completada com a entrada da melodia “Rasga o Coração”, uma modinha de acento luso-brasileiro que remete à influência cultural dos colonizadores brancos europeus.  Trata-se do elemento mais controverso da obra, uma vez que, tendo sido composta por Anacleto de Medeiros (antigo colega de Villa-Lobos dos choros da noite carioca) e o texto escrito por Catullo da Paixão, inadvertidamente apropriou-se Villa-Lobos desta música sem informar seus verdadeiros criadores, resultando em um questionamento jurídico de direitos autorais. Em essência, Villa-Lobos foi fiel à prática dos chorões – cantar melodias ininterruptamente, improvisando e variando a piacere. O resultado da “perícia” foi que, melodicamente, não foi constituído plágio, uma vez que Villa-Lobos fez “adaptações” rítmicas e melódicas em relação à obra original. Quanto ao uso do texto de Catullo da Paixão, não houve argumentação que o sustentasse – o Choros nº 10 teve sua execução com o texto de Catullo prescrita, e a 1ª edição francesa da obra teve que ser reimpressa substituindo o texto em português por uma vocalização da letra “a”.  Aqui apresentamos a obra original, sabendo que o subtítulo “Rasga o coração” é com justiça atribuído a essa obra monumental. 
Um ano após participar da Semana da Arte Moderna em São Paulo em 1922, Villa-Lobos vai para Paris, onde tem contato com artistas e com a música impressionista. As marcas do impressionismo tornaram-se parte de seu pensamento musical, especialmente a utilização de paralelismos melódicos e escalas exóticas, fundindo-se com o ritmo e a vitalidade da música brasileira. Assim, são inúmeras as relações entre a música de Villa-Lobos e de Ravel. O célebre Boléro foi composto a pedido da bailarina Ida Rubinstein para uma coreografia baseada em temas folclóricos espanhóis. Estreada em Paris em 1928, a obra era considerada por Ravel um exercício de orquestração, pois sua estrutura é simples, baseada na mera alternância de duas frases musicais. Entretanto, essa aparente simplicidade revela a síntese da música impressionista, cujos contornos melódicos são “esfumaçados” pelo paralelismo das linhas instrumentais, criando espectros cromáticos diferenciados a cada repetição da melodia, inicialmente com timbres suaves e delicados, amplificando-se gradualmente até a conclusão monumental da orquestra completa tocando em fortíssimo.


Luciano Camargo

 

ORQUESTRA ACADÊMICA DE SÃO PAULO

Violinos
Kleberson Buzo (spalla)
Laércio Diniz
Anderson Cardoso
Jair Guarnieri
Karen Crippa
Letícia Andrade
Mariya Krastanova
Nikolay Iliev Iliev
Thais Morais
Tiago Paganini

Violas
Tiago Vieira
Camila Ribeiro
Elisa Monteiro
Gilvan Calsolari

Violoncelos
Denise Ferrari
Franklin Martins
Gustavo Lessa

Natalia Bueno

Contrabaixos
Paulo Brucoli
Cleber Castro

Flautas
Ana Gaigalas
Brenda Carvalho

Oboés
Rafael Felipe
Tatiana Mesquita

Clarinetes
Leirson Maciel
Tiago Garcia

Fagotes
Osvanilson Castro
Patrícia Mastrella

Saxofone
Douglas Braga

Trompas
Vitor Ferreira Neves
Flavio Faria
Weslei Lima

Trompetes
Amarildo Nascimento
Michel Machado

Trombones
Leandro Febras
Agnelson Gonçalves
Jonathan Xavier

Tímpanos e percussão
Marcel Balciunas
Leandro Lui
Marco  Monteiro

Harpa
Talita Martins

Piano
Juliana Ripke

 

CORAL DA CIDADE DE SÃO PAULO

Sopranos

Ana Paula Costa

Frederica Melica

Hellen Campos

Ines Moutinho

Lavínia Giampa

Lilian Mitter

Marcia Kobata

Maria das Graças Campanari

Maria Cristina Alves

Mariane Yoshigaye

Maricene Pereira

Mariza Leoni

Meire Cidade

Mika Ono

Miriam Celestino

Miriam Perazzio

Rosimeire Vieira

Rosiris Vieira

Solange Valls

Teresinha Santos

Thereza Branco

Contraltos

Adriana Reis

Ana Lucia Novaes

Graziela de Paula Lucas

Kaliny Aquino

Leny Menta

Lilian Borges

Livia Mund

Maria Cristina Vercelli

Miriam Veiga

Norma Almeida

Sandra Stech

Silvana Passos

Sonia Policarpo

Tatiana da Silva Lima

Thais Rodrigues

Valdecir Rosa

Valeria Viesti

Wakyria Bombonato

Yoshiko Sassaki

Tenores

Alexsander Ribas

Antonio Pádua Fernandes

Diogo Feitosa

Fabio Andrade

Felipe Umbelino

Oady Almeida

Paulo Gonçalves

Raphael Tessarotto

Baixos

Ari Lima

Eliezer Abade

Fabiano Nóbrega

Gabriel Gonzales

Linardi Abbamante

Luis Martins

Ronaldo Mariconi

Preparador Vocal

Chico Campos

Monitor convidado

Bruno Costa

 

Patronos da Associação

Coral da Cidade de São Paulo

Adanias Sousa

Adolpho Leirner

Affonso Risi Junior

Alba Regina

Alex Castilho

Andrelina Gonçalves

Annibal Rebello

Claudia Dornbusch

Claudio Rossi

Donzila Bonati

Eliane Becker

Elisa Amorin Lanzoni

Elisangela da Cruz Santana

Elizete Guimarães

Fábio Andrade

Federica Melica

Fernando Aires

Fulvia Leirner

Heloisa Helena Garcia

Iracema de Oliveira

Itania Batista

Ivani J C Massari

Jaqueline Leirner

Jose Calos Furia

Julieta Widman

Lavinia Giampá

Leny Menta

Lilian c massari

Lívia Susehmil

Marcia Kobata

Maria Campanari

Maria de Fatima Alves

Maria Tereza Batalha

Marina Moreira Sampaio

Mariza Leoni

Miriam Veiga

Nair Ikeda

Rosa Marina Avilla

Rosana Paulon

Sandra R M Stech

Sigmar D. Guimarães

Silvana Passos

Silvia Cassilha

Solange Uehara

Sueli Mirabelli

Tania Maria

Teresinha E dos Santos

Valdecir Rosa

Walkyria Bombonato

 
Regência
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Luciano Camargo
 
Especialista no repertório vocal-sinfônico, Luciano Camargo tem se destacado na área operística dirigindo as produções de La bohème, A Flauta Mágica e Carmen no Teatro Bradesco. É formado em regência orquestral pela ECA-USP e mestre e doutor em música pela mesma instituição. Cursou aperfeiçoamento com Klaus Hövelmann e Peter Gülke em Freiburg (Alemanha) e Ira Levin (Brasil), tendo recebido também orientação de Roberto Tibiriçá, Roberto Duarte e Osvaldo Ferreira. Foi Diretor de Música Sacra da St. Peter und Paul Kirche Freiburg (Alemanha) de 2000 a 2002. Atuou frente a importantes orquestras brasileiras, sendo que desde 2003 é o Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Acadêmica de São Paulo e do Coral da Cidade de São Paulo, tendo realizado mais de 100 concertos, incluindo a montagem da ópera "Orfeu e Eurídice" de Gluck no Theatro São Pedro. Foi assistente do Maestro Ira Levin no I Festival Internacional de Brasília (2005) e um dos participantes selecionados para o II Prêmio OSESP de Regência Orquestral (2006). Em 2007 realizou estágio acadêmico em regência orquestral no Conservatório Estatal “Rimsky-Korsakov” de São Petersburgo (Rússia) na classe de Mikhail Kukushkin. Desde 2017 é professor de regência na Universidade Federal de Roraima.
 
Realização
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Apoio Cultural
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Direção Artística

Luciano Camargo

Produção Executiva

Irani Celestino

Assistente de Produção

Jessica Bononi Baquero

Preparador Vocal

Francisco Campos Neto

Monitoria Coral

Oady Lohan